João Aguiar | RDNews
O tráfico de skunk, conhecida como “supermaconha”, mais que dobrou nas rodovias federais de Mato Grosso em 2025, segundo os dados de apreensões realizadas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) no último ano. Para o superintendente da PRF, Arthur Nogueira, a escalada é preocupante, já que a droga está entre as que mais causam danos ao organismo do usuário.
Conforme dados da PRF, em 2024 foram apreendidas 2,9 toneladas de skunk. Já em 2025, o volume saltou para 7,3 toneladas, quase alcançando a quantidade de cocaína apreendida, que foi de 7,4 toneladas, e mais que o dobro da maconha, que totalizou 3,2 toneladas no mesmo período.
De acordo com Nogueira, o aumento das apreensões é motivo de alerta porque indica crescimento no consumo da droga. “Se está aumentando é porque o mercado consumidor está exigindo que a droga chegue. Isso significa que aumentou o número de consumidores. É um problema social gravíssimo […] É uma droga que nos preocupa porque a capacidade dela de danificar o organismo e gerar dependência é cerca de sete vezes maior do que a da maconha”, afirma o superintendente da PRF.
O impacto acaba recaindo sobre toda a sociedade, uma vez que o tráfico de drogas está diretamente ligado ao crime organizado e às facções criminosas. “Isso gera insegurança na maioria dos municípios brasileiros, e Mato Grosso tem enfrentado graves problemas com essa realidade”, destaca.
“A maior parte da droga que passa por Mato Grosso tem como destino outros estados, principalmente da região Sudeste, e algumas cargas seguem para o Nordeste. Inclusive, entre os 27 estados, somos o 7º que mais apreendeu drogas em 2025. Ficamos atrás apenas do Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Rio de Janeiro”, acrescenta.
O aumento das apreensões também refletiu no número de prisões por tráfico de drogas. Em 2024, foram 235 pessoas detidas por tráfico de entorpecentes. Já em 2025, o total subiu para 256. No entanto, conforme Nogueira, a maioria dos presos são as chamadas “mulas”, e não os principais traficantes. “Não são os chefes, não são os beneficiários do esquema. São, na verdade, trabalhadores informais do crime organizado”, completa.




