Thalita Queiroz | RDNews
A desembargadora do Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso (TRT-MT), Adenir Carruesco, relatou um episódio de racismo estrutural sofrido por ela dentro de um supermercado da capital. O registro foi feito por meio das redes sociais da magistrada.
Desembargadora do TRT relata episódio de racismo pic.twitter.com/mt1l0wRQjA
— RDNews (@_rdnews) May 19, 2026
“Domingo é dia de tirar a toga. Eu fiz a minha caminhada matinal e passei pelo supermercado. Caminhando entre as gôndolas, fui abordada insistentemente por uma senhora que queria informações sobre os produtos e sobre a localização dos produtos. Para ela, era lógico que eu trabalhava ali e que eu estava ali para servi-la. Mas essa senhora não cometeu nenhum ato racista. Ela agiu pela lógica. Pela lógica que o senso comum brasileiro internalizou, o lugar natural do preto é o serviço”, disse Adenir.
A desembargadora faz ainda uma dura crítica à sociedade brasileira, que, durante anos e até a atualidade, segue tratando pessoas pretas como inferiores.
“Os pretos brasileiros não estão nos tribunais superiores. Basta ver, e a mulher negra, menos ainda. Eu, desembargadora, sem a toga, sou apenas mais um corpo preto que a razão brasileira insiste em enxergar como serviçal. O problema não é aquela mulher no supermercado. É a lógica que ela, sem saber, reproduz. Uma lógica que precisa ser desmontada”, finaliza a magistrada.
Adenir Carruesco foi a primeira desembargadora preta a assumir a presidência do TRT-MT. Ela é militante do movimento negro e da diversidade étnica e racial no Brasil, e chegou a ser cotada para o Supremo Tribunal Federal.




