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MPF investiga níveis de contaminação do rio Araguaia com agrotóxicos em MT

MPF investiga níveis de contaminação do rio Araguaia com agrotóxicos em MT

Da Redação Rádio Aruanã FM

Ricardo Martins

O Ministério Público Federal (MPF) investiga os níveis de contaminação das águas do Rio Araguaia por agrotóxicos. A abertura do inquérito se baseou em um estudo publicado na revista Environmental Advances, em que os níveis das substâncias detectadas nas águas estariam acima dos considerados seguros para o consumo humano.

Conforme consta no inquérito, tendo como base o estudo, amostras coletadas entre novembro de 2018 e março de 2019 em 8 afluentes nos trechos médio e alto da bacia do Rio Araguaia constataram a presença de 8 agrotóxicos comumente utilizados em lavouras e áreas de pastagens brasileiras. Os herbicidas foram os principais agrotóxicos encontrados nas amostras, seguidos pelos inseticidas e fungicidas.

As porções média e alta do Rio Araguaia tiveram os níveis de atrazina, carbendazim, cianazina, imidacloprida, 2,4-D, clomazone, clorpirifós etil e imazalil acima dos aceitos na União Europeia. Dentre os agrotóxicos, destacou-se a atrazina e o clomazone, por terem sido registrados em todas as substâncias estudadas.

A atrazina é um dos herbicidas mais utilizados no mundo e usado principalmente para controlar plantas de folha larga em culturas de cana-de-açúcar e milho, sendo reconhecida como um desregulador endócrino, responsável pela feminização
e castração de anfíbios e outras classes de vertebrados, bem como pela inibição do crescimento ovariano, feminização, anomalias ontogenéticas de desenvolvimento e redução da produção de descendentes em crustáceos.

Já o clomazone é outro herbicida amplamente utilizado para controlar plantas indesejadas no cultivo, tendo efeitos adversos relatados para espécies terrestres não-alvo e organismos aquáticos, incluindo insetos aquáticos, peixes, anfíbios e macrófitas aquáticas.

A água destas sub-bacias, assim como a do Rio Araguaia, serve como fonte primária da abastecimento de água à população humana em diversos municípios e que 5 dos 8 pesticidas registrados no estudo foram associados a doenças crônicas como câncer, defeitos congênitos e distúrbios endócrinos.

Dentre os problemas para a saúde humana apontados no estudo estão: desregulador endócrino, irritante do trato respiratório, irritante da pele, irritante dos olhos (atrazina) e efeitos de reprodução/desenvolvimento (clomazone).

A legislação ambiental brasileira não especifica limites máximos de concentração de agrotóxicos na água, mas, quando considerados os valores recomendados pela Comunidade Europeia, torna-se evidente que as águas superficiais em muitas das sub-bacias estudadas podem não atender aos padrões de água potável.

Consta no inquérito que, quando oficiadas, as Secretarias Estaduais de Meio Ambiente de Mato Grosso, Goiás, Tocantins e Pará informaram não dispor de programa de monitoramento da qualidade da água que contemple parâmetros relacionados a agrotóxicos.

Fonte: Araguaia Notícia

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