Nathália Gonçalves | Assessoria
O projeto Memória e Ancestralidade: Cosmologia Indígena e Imagem em Movimento, do produtor audiovisual Rodrigo Pereira Teodoro, está preservando um acervo de imagens da cultura do povo Xavante. Os registros foram feitos ao longo de mais de 30 anos pelo cineasta indígena Divino Tserewahú, na Terra Indígena de Sangradouro, e agora passam por um processo de digitalização. A iniciativa foi viabilizada com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio do Edital de Seleção Pública nº 06/2023/SECEL-MT – Cinemotion / Edital de Acervo/Publicação.
Gravadas em formatos analógicos como VHS, Mini-DV, Betacam e Hi-8, as imagens documentam rituais, costumes e falas de anciãos e lideranças, muitos deles já falecidos. Parte desses registros retrata práticas que já não são mais realizadas, o que amplia o valor histórico e cultural do material. O projeto representa um passo importante na preservação da memória do povo Xavante e na valorização da produção audiovisual dos povos originários.
De acordo com o proponente, a preservação desse acervo é urgente. “Essas imagens guardam registros relevantes, de valor histórico, cultural e para a memória da própria comunidade. A digitalização contribui para resguardar parte da história e de práticas rituais da comunidade de Sangradouro, que corriam sério risco de serem definitivamente danificadas e irrecuperáveis”, afirma Rodrigo.
O processo de digitalização exigiu um trabalho técnico detalhado, com curadoria e tratamento do material bruto. Parte das fitas apresentava sinais de degradação devido às condições de armazenamento anteriores ao projeto e, em alguns casos, não pôde ser recuperada. Outro desafio foi a diversidade de formatos, incluindo mídias e equipamentos hoje considerados raros, o que exigiu o uso de diferentes aparelhos para garantir a reprodução e a padronização das imagens.
Além de evitar a perda do material, o projeto também busca fortalecer o vínculo das novas gerações com a própria cultura. “O maior impacto é o pertencimento. Com esse acervo disponível, a comunidade passa a ter acesso direto às suas referências culturais, podendo manter vivas suas tradições e até retomar práticas que foram se perdendo ao longo do tempo”, destaca o produtor audiovisual.
Parte dos conteúdos, originalmente gravados na língua Xavante, contará com legendas em português, ampliando o acesso para pesquisadores, estudantes e para o público em geral.
O material digitalizado será devolvido ao cineasta Divino Tserewahú e para toda a comunidade de Sangradouro. Já as imagens autorizadas para acesso à pesquisadores e estudantes, serão entregues para o Museu de História Natural do Araguaia (MuHNa), no dia 9 de abril. Além de também passar a integrar o acervo do Cineclube Coxiponés, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).




