Tairone Conde era proprietário da Classe A Motors e teria ajudado na lavagem de capitais de quadrilha de traficantes

O desembargador da 11ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, Fausto de Sanctis, determinou a soltura do empresário Tairone Conde Costa, ex-proprietário da concessionária de automóveis de luxo Classe A Motors, localizada em Cuiabá. Ele é apontado como membro de uma organização criminosa que atua no tráfico de drogas com movimentação financeira de R$ 230 milhões, segundo a Polícia Federal (PF). Os crimes foram revelados durante a deflagração da operação “Status”, em 2020.
A decisão do desembargador federal, proferida nesta quinta-feira (9), estabeleceu que Tairone Conde Costa deverá utilizar tornozeleira eletrônica. O empresário terá ainda que comparecer a cada dois meses perante o juízo para justificar as suas atividades, não poderá manter contato com outros investigados, bem como não deixar seu município de residência (atualmente, ele esta preso no Complexo Penitenciário Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande, na região metropolitana).
O desembargador também proibiu Tairone de deixar o país até o fim do trâmite do processo, determinando, ainda, o recolhimento do empresário em sua residência no período noturno, das 22h às 7h.
Em suas razões para livrar Tairone da cadeia, Fausto de Sanctis acatou o argumento da defesa – feita pelos advogados Leonardo Luis Nunes Bernazzolli e José Carlos de Oliveira Guimarães Junior- de que a prisão seria uma medida “desproporcional” neste momento, tendo em vista que, quase um ano após a deflagração da operação “Status”, a fase de produção de provas no processo ainda não teve início. De acordo com os advogados, seu cliente possui 60 anos, além de “obesidade grau II, doença coronariana, problemas renais, hepáticos, hematológicos, dentre outros”, fatores de risco para o novo coronavírus (Covid-19).
“Há que se sopesar o transcurso de mais de 300 (trezentos) dias desde a deflagração da operação, com a prisão do paciente, tendo já sido identificados os membros da imputada organização criminosa, interrompidas as atividades ilícitas, dado o seu aparente desmantelamento, e resguardado o juízo eis que cumpridas todas as medidas de busca e apreensão, de sequestro de bens e de bloqueio de valores, inclusive, do ora paciente”, justificou o desembargador.
A operação “Status”, da Polícia Federal, desarticulou uma quadrilha especializada no tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A PF realizou diligências em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná – além do Paraguai -, em setembro de 2020. A organização teria movimentado cerca de R$ 230 milhões.
Em Mato Grosso, um dos alvos da Polícia Federal – que apreendeu no total 42 imóveis, 2 fazendas, 75 veículos, barcos e aeronaves -, foi o proprietário da antiga concessionária de carros de luxo Classe A, localizada em Cuiabá. Ele também tinha uma pousada às margens do Lago do Manso, em Chapada dos Guimarães (100 KM da Capital). Buscas e apreensões também foram realizadas em Barra do Garças (501 KM de Cuiabá) e Primavera do Leste (236 KM da Capital).
Tairone Conde Costa teve prisão preventiva decretada em 11 de setembro de 2020.




