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Ladrões de banco vieram do Nordeste e estudaram cidade de MT por um mês

Jessica Bachega

Criminosos do Nordeste do Brasil vieram para Mato Grosso roubar agências bancárias de Nova Bandeirantes e escolheram a cidade pela distância da Capital e por ser uma região cercada por mata, onde poderiam se esconder facilmente, afirmou o delegado da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), Vitor Hugo Bruzulato Teixeira. Eles passaram um mês estudando a cidade e fazendo contato com criminosos de MT.

Em coletiva de imprensa, o delegado afirmou ainda que foi necessário realizar uma reconstituição dos fatos fora do alcance do local do crime, sendo assim, a ação foi expandida por toda a região.

“A quadrilha tinha uma ligação grande com Alta Floresta, que serviu como base do grupo criminoso. Então, utilizamos várias ferramentas legais para conseguir esclarecer o crime. Durante a investigação, ficou clara a divisão da quadrilha em 3 grupos”, disse.

Conforme Teixeira, o primeiro grupo ficou responsável pela logística da quadrilha, alugando casas que serviram de base, veículos, traçou rota de fuga, rota entre acampamento e esconderijos.

Já o segundo foi o grupo responsável pela prática do roubo, que esteve no local praticando o crime no dia 4 de junho nas duas agências bancárias. O terceiro e último foi responsável pelo resgate dos bandidos que passaram o período escondido no mato, a estratégia já tinha sido traçada.

Dia do crime

Na manhã do crime, os bandidos saíram de Alta Floresta e faltando 10 km para chegar na cidade, fizeram a divisão das tarefas, de armas e munições. Depois disso, já na entrada de Nova Bandeirantes, roubaram carros e os usaram para dificultar o acesso das forças de segurança.

O roubo foi realizado em duas agências de forma simultânea. Na fuga, mais carros roubados foram usados pelo grupo, alguns chegaram a ser incendiados nas rotas de fuga. Mas, para o delegado, o objetivo principal era traçar a função de cada um dentro da organização.

A operação que contou com forças de segurança quase 60 dias na cidade resultou na morte de 9 pessoas em confronto. Por fim, o delegado afirmou que foram identificados 22 pessoas na autoria do roubo. Dessas, há 9 mortes, 13 pessoas indiciadas. Na operação desta sexta, 9 foram presas de forma preventiva. Polícia ainda colocou tornozeleira em um investigado e cumpriu 3 mandados de busca e apreensão.

Todos os envolvidos já tinham passagens criminais e são reincidentes no crime. Entre os mandados, foram cumpridos prisões dentro da cadeia.

Empresário confirmado no crime

O delegado aproveitou para esclarecer que um dos mortos na ação, identificado como Luiz Miguel Melek, tinha sim ligação com a quadrilha. A família do empresário chegou a declarar que ele era inocente e que foi morto com engano pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope).

Vitor afirmou Luiz era um dos responsáveis em levar comida para o grupo nos esconderijos. Além disso, uma das caminhonetes usadas no dia do roubo foi encontrada em sua casa.

Recuperado

No balanço policial, foi informado que 75% do valor levado pelos bandidos foram recuperados, equivalente a R$ 573.182, 75. Secretario de Estado de Segurança Pública, Alexandre Bustamente, afirmou que a operação está encerrada.

Jessica Bachega e Yuri Ramires/ Gazeta Digital
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