Uma pessoa calma, evangélica e que apenas frequenta a casa e o trabalho. É assim que Ruiter Ricardo da Silva se descreveu durante a investigação dos supostos crimes cometidos por policiais militares na Grande Cuiabá. Segundo o delator, que trabalha como vigilante, os PMs cometeram mais de 24 execuções sob a justificativa de confronto.
Informante de batalhões como a Rotam e o Bope, Ruiter contou em seu depoimento que ele participava das “emboscadas” feitas a criminosos para que os policiais pudessem executar as vítimas durante abordagens. O depoimento dele e as provas apresentadas foram responsáveis pela deflagraçãoda Operação Simulacrum, que teve como alvos 64 policiais.
Além dos crimes que ajudou a cometer – as execuções de bandidos que ele assumiu ter participado junto com os policiais -, Ruiter também tem passagens por tentativa de homicídio e Lei Maria da Penha.
Os crimes que ele denunciou, e que ajudou a praticar, foram pagos pelos policiais com diversos tipos de “bonificações”. Por ter levado Deberson Pereira de Oliveira, Fabrício Soares e Mayson Ricardo Moraes Dihl para a morte em 3 de outubro de 2017, ele ganhou uma viagem para o Rio de Janeiro com a esposa.
Por esse mesmo crime, a mulher que era sua esposa na época ganhou uma carteira de habilitação. Apesar de não poder oficialmente dirigir, era ela que guiava o carro, tendo Ruiter do lado, para levar os criminosos para as emboscadas.
Segundo ele mesmo reconheceu em seu depoimento, pela emboscada realizada em 29 de jullho de 2020, ele recebeu de um agiota ligado aos policiais R$ 5 mil “para ser gasto em uma viagem para a cidade de Gramado (RS) e dos policiais do Bope o pagamento foi “dois celulares e dinheiro”.
Armas era “prêmio” comum para Ruiter pelos serviços cometidos. Ele admitiu inclusive que vendia armas que ganhou de integrantes do Bope para “empresários” que atuam de forma ilegal na área de segurança privada.




