Postos já reajustaram preço do etanol em quase 50 centavos na semana, apesar de a indústria ainda não ter repassado aumentos dos custos de produção

O ‘mega-aumento’ dos preços da gasolina e do diesel anunciado pela Petrobras na última quinta-feira (10) também vai provocar uma subida de custos para a produção de etanol e encarecer o produto. Alguns postos, inclusive, já começaram a reajustar seus preços, apesar de a indústria ainda não ter repassado esse encarecimento da produção para as bombas.
Na manhã desta segunda-feira, 14 de março, já não era mais possível achar o litro do etanol por menos de R$ 4,40 em Cuiabá. É um aumento de aproximadamente 50 centavos frente ao preço praticado até a segunda-feira passada, 7 de março, quando o etanol era comercializado na faixa de R$ 3,97 a R$ 4,19.
Apesar desses aumentos, abastecer com etanol ainda é uma opção melhor frente à gasolina, que já é vendida por quase R$ 7 nos postos da Região Metropolitana.
“Existe uma tendência natural dos preços de etanol serem conduzidos pelos preços da gasolina. A gente tem percebido também que aumentou um pouco, nos postos, os preços do etanol, apesar de não ter acontecido um aumento na usina”, destaca Lhais Sparvoli, diretora-executiva do Sindicato das Indústrias de Bioenergia do Estado de Mato Grosso (Sindalcool).
O impacto na indústria ocorre por duas razões principais: o aumento no custo do fertilizante utilizado na produção de milho, um dos efeitos econômicos da guerra entre Ucrânia e Rússia, grandes exportadores de fertilizantes ao Brasil. Além disso, o diesel teve alta de 81 centavos por litro no mais recente reajuste da Petrobras, e é amplamente utilizado nas lavouras de cana e milho, o que acaba por elevar os custos de produção.
Por outro lado, a expectativa de produção está positiva. De acordo o Sindalcool, o aumento da produção tem sido vertiginoso em Mato Grosso. Até 2017, a produção era tímida, pois era baseada principalmente no etanol da cana-de-açúcar, quando o estado tinha uma produção de pouco mais de um bilhão de litros. Já para 2022, a estima de produção é de 4,6 bilhões de litros.
“Mato Grosso produz muito mais etanol do que consome. A gente produz mais de 4 bilhões de litros e consumimos em torno de um bilhão de litros. Essa diferença é muito importante. Nós não imaginamos que vai ter uma falta de produto no mercado”, afirma Sparvoli, ao acrescentar que o início da produção do etanol de cana vai aumentar a oferta de combustível nos próximos meses.
Lhais destaca também que, pelo fato de Mato Grosso ter um bom excedente de produção, a paridade do preço é sempre melhor no estado em relação às demais unidades da federação.
“Mesmo quando os preços estão um pouco acima, como foi o caso de 2021, Mato Grosso sempre teve a melhor paridade. Além de tudo, é um produto nosso. É válido lembrarmos o quanto a gente gera de empregos, a arrecadação de impostos que estimula investimentos em Saúde, Educação. É um produto mato-grossense gerando divisas e riquezas”, conclui.




