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Indígenas vão usar drones para monitorar áreas e evitar desmatamento e invasões em território em MT

Publicado em 03 de fevereiro de 2022
Indígenas são treinados para monitorar drones — Foto: José Lauricio Tsereto Tsahobo

Indígenas são treinados para monitorar drones — Foto: José Lauricio Tsereto Tsahobo

Indígenas Xavante da Terra Indígena Sangradouro/Volta Grande vão passar a usar a tecnologia para combater o desmatamento no território com o projeto Fortalecendo a Associação Xavante Warã. A área é uma das mais vulneráveis na questão de crimes ambientais, invasões e devastação.

A iniciativa é do Centro de Trabalho Indigenista (CTI) em parceria com o WWF-Brasil. O objetivo é contribuir com as capacidades institucionais da Associação Warã, por meio de investimento em infraestrutura tecnológica – incluindo computadores e drones -, além da formação técnica de lideranças.

De acordo com o assessor jurídico do CTI, Aluisio Azanha, o projeto qualifica as ações de monitoramento territorial e ambiental da Associação Warã, com foco no desmatamento associado a ilícitos ambientais, ao avanço do agronegócio e aos impactos de projetos de infraestrutura.

O CTI é uma organização indigenista que há mais de 40 anos promove a agenda de defesa dos direitos e fortalecimento da autonomia dos povos indígenas em várias regiões do país.

Treinamento é dado para indígenas  — Foto: José Lauricio Tsereto Tsahobo

Treinamento é dado para indígenas — Foto: José Lauricio Tsereto Tsahobo

De acordo com Azanha, o projeto com a Warã se concentra na aquisição de infraestrutura tecnológica e na capacitação técnica para manuseio dos instrumentos.

“O principal objetivo da aquisição de equipamentos – como drones, computadores, GPS, máquinas fotográficas e todos os insumos necessários para a utilização desses recursos – é contribuir para a qualidade do monitoramento do território”, explicou.

A primeira oficina foi de treinamento no uso de instrumentos e para discussão sobre quais são as principais pressões sobre cada território.

Agricultura no território

 

Com 100 mil hectares, a TI Sangradouro/Volta Grande é coberta pela vegetação de Cerrado e, como a maior parte das TIs do Mato Grosso, está cercada pelo agronegócio e por projetos de infraestrutura.

No fim de 2020, as atividades agrícolas começaram a ganhar espaço dentro da TI: o Sindicato Rural de Primavera do Leste (MT), com apoio do Governo Federal e da Fundação Nacional do Índio (Funai), lançou um projeto que criou uma cooperativa agrícola para o cultivo de arroz dentro da Terra Indígena Xavante.

Azanha conta que o CTI já trabalha com a Associação Warã há mais de 10 anos. Um dos focos principais foram as parcerias nos estudos de avaliação de impacto ambiental da construção de hidrelétricas e ferrovias na região – sempre com metodologia participativa.

Foram investidos R$ 106 mil — Foto: José Lauricio Tsereto Tsahobo

Foram investidos R$ 106 mil — Foto: José Lauricio Tsereto Tsahobo

Dados e análises

 

De acordo com o especialista em conservação e líder do núcleo de respostas emergenciais do WWF-Brasil Osvaldo Barassi Gajardo, o principal objetivo da parceria com o CTI é gerar subsídios técnicos para a atuação da Associação Warã na sua agenda de gestão e defesa do território.

Segundo ele, o valor investido no projeto foi de R$ 106 mil. Gajardo explica que o monitoramento feito na TI Xavante permitirá reunir dados que ajudarão a orientar o trabalho de enfrentamento às pressões territoriais.

Por g1 MT

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