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Frio causa perdas nas lavouras e puxa novo aumento no preço dos alimentos

Publicado em 04 de agosto de 2021

As alterações climáticas registradas nos últimos 12 meses têm comprometido a produção de alimentos no Brasil. Em 2020, as lavouras foram acometidas por uma seca severa que frustrou as expectativas dos produtores, entre eles os mato-grossenses. Quase um ano depois, é o frio que ameaça não apenas o cultivo de commodities – como café, milho e trigo -, mas também os alimentos essenciais para dieta da população.

A produção de hortaliças e frutas foi afetada pelas geadas registradas em julho, o que levou o mercado financeiro a elevar as projeções de inflação dos alimentos. Caso se confirme esse cenário, pode haver restrição ainda maior de acesso da população a esses produtos. Em comunicado, a XP Investimentos, especialista no mercado financeiro, calculou as possíveis consequências dessa intensa onda de frio.

“As culturas mais impactadas com a queda na temperatura são o café, as hortaliças e as frutas. Com diminuição da oferta, os preços tendem a subir e esse repasse costuma ser rápido. Apesar de já ter incorporado parcialmente esse impacto, a geada dessa semana pode se traduzir em inflação ainda mais alta no curto prazo. Estimamos que isso pode significar alta de 0,10 ponto percentual (p.p.) na nossa projeção de inflação do ano [2021], já em 6,7%”, afirma Tatiane Nogueira, economista que assina a publicação.

Segundo o último boletim divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a semana encerrada no dia 24 de julho já apresentou queda na oferta de importantes hortaliças, em decorrência direta das fortes geadas que atingiram as principais regiões produtoras do país. Com isso, houve alta de preços na maioria dos mercados. Naqueles em que não ocorreu aumento de preços, a qualidade dos produtos despencou, o que se tornou um fator de compensação.

No Ceasa Campinas (SP), por exemplo, muitos produtores de hortaliças relataram que tiveram perdas significativas e já observam reflexos nos preços de leguminosas, como pimentão, abobrinha e berinjela.

“O frio intenso só veio agravar um cenário já desafiador para o agricultor no ano. Esse ano, a estiagem severa impactou fortemente preços de grãos, como soja e milho, cana de açúcar, café e cítricos. Além disso, as proteínas animais também têm os preços altos. No caso da carne bovina, essa alta segue sustentada pelas exportações brasileiras de carne para China num cenário de escassez de animais prontos para abate. E a falta de chuvas fez com que o confinamento do gado aumentasse, gerando mais custos aos produtores”, detalha a economista da XP.

Boa parte das frutas e hortaliças cultivadas no estado de São Paulo abastecem centrais de distribuição de alimentos em Mato Grosso. Isso significa que a perda de alimentos ainda nas lavouras paulistas deve limitar os envios para o estado. O que chegar ficará mais caro para o consumidor.


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