Notícias

Após morte de policial por picada de jararaca em MT, defensoria pede que Saúde abasteça hospital com soro antiofídico em 15 dias

Publicado em 04 de maio de 2022
Medida foi pedida após uma policial penal morrer picada por jararaca — Foto: Thiago Malpighi

Medida foi pedida após uma policial penal morrer picada por jararaca — Foto: Thiago Malpighi

A Defensoria Pública de Mato Grosso, em Campo Verde, a 139 km de Cuiabá, solicitou às secretarias de Saúde estadual e municipal que, em 15 dias, abasteçam o Hospital Municipal local com doses de soro antiofídico contra picada de cobra jararaca, em quantidade suficiente para atender a população.

A providência, solicitada via ofício, busca evitar mortes como a da policial penal, Luciene Santos, 44 anos, ocorrida no dia 25 de abril.

Ela foi picada por uma jararaca na zona rural de Campo Verde, como o município não tem o soro antiofídico para a espécie em sua rede, Luciene foi levada para Rondonópolis, a 138 km de sua cidade.

Ao dar entrada no Hospital Regional de Rondonópolis, no entanto, os médicos informaram que ela já tinha complicações renais e necessitava de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). No dia seguinte à picada, o quadro dela só se agravou e a agente não resistiu.

Policial penal foi picada por uma jararaca na casa onde mora — Foto: Reprodução

Policial penal foi picada por uma jararaca na casa onde mora — Foto: Reprodução

Veneno

 

Para evitar que o veneno se espalhe pela corrente sanguínea e cause a morte, é necessário o uso do antiofídico, logo após a picada. O produto funciona para bloquear o envenenamento e a falência dos órgãos.

Ofício

 

No ofício encaminhado ao Estado, a defensora pública que atua na comarca, Tânia Vizeu, afirma que garantir o fornecimento do soro na cidade é fundamental para salvar vidas, diante das graves estatísticas.

Tânia ainda solicita ao estado dados oficiais sobre o número de pessoas vítimas de picadas de cobras, por espécie, nos últimos cinco anos em Campo Verde; quantas foram vítimas de picadas de animais peçonhentos no geral; quantas precisaram do soro antiofídico para jararaca e se foi necessário pedir socorro em outros municípios.

À secretaria de Saúde do município, a defensora pede que informe qual lugar o município ocupa no ranking estadual e nacional de registros de picadas de cobras; quais os motivos de não ter o bloqueador do veneno para jararaca no local; quais providências o município já tomou para resolver o problema da falta do medicamento acessível aos moradores locais; qual o motivo de ainda não ter e quantas doses seriam necessárias para garantir segurança dos moradores da zona urbana e rural.

Sentença Ignorada

 

Uma das vítimas de picada de jararaca em Campo Verde é uma criança de 7 anos, picada pela cobra quando era um bebê de nove meses. Ele vive na zona rural de Campo Verde com a família, e sobreviveu graças ao soro antiofídico, disponível à época. Porém, sofreu uma deformidade no dedo indicador da mão esquerda que tende a atrofiar o nervo, permanentemente, caso não seja operado.

A necessidade da cirurgia foi indicada por médicos ortopedistas que atenderam a vítima, em 2017, após a criança ter sido tratada com fisioterapia e outras alternativas, sem conseguir corrigir o problema. Desde então, a mãe do garoto tenta, sem sucesso, que o Sistema Único de Saúde (SUS) providencie a cirurgia para a correção do dedo do filho.

Por g1 MT

Baixe o APP da Rádio 102.1

Agora você pode nos ouvir em qualquer lugar com acesso à internet. Disponibilizamos para você, além do áudio, informações de contato e acesso às nossas páginas na internet.